A Operação Luxury, deflagrada nesta quarta-feira, 15 de abril, em cidades de Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul, teve como um dos principais alvos uma ex-miss de Uberlândia suspeita de ligação com uma organização criminosa envolvida no tráfico de drogas. Segundo as autoridades, ela mantinha um padrão de vida elevado, sustentado com recursos oriundos de atividades ilícitas.
De acordo com o delegado Dalton Marinho, da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, parte do dinheiro movimentado pelo grupo era utilizada em gastos de alto padrão. A ex-miss realizava viagens internacionais frequentes, fazia compras em lojas de luxo e adquiria veículos de alto valor.
As investigações apontam que o núcleo da organização atuava em Uberlândia, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão, inclusive em condomínios de alto padrão. Conforme o delegado da Polícia Civil Rafael Herrera, o grupo utilizava empresas de fachada para dar aparência legal aos ganhos provenientes do tráfico de drogas.
O esquema também contava com uma logística considerada sofisticada. A organização utilizava a chamada “Rota Caipira”, priorizando estradas de terra e vias rurais com menor presença policial. O acesso às rodovias principais ocorria apenas em momentos estratégicos.
Segundo a polícia, veículos batedores eram posicionados antes e depois dos carros que transportavam drogas, muitos deles clonados ou adulterados, com o objetivo de monitorar a presença de viaturas. A comunicação entre os integrantes era mantida por meio de antenas via satélite, o que permitia contato constante mesmo em regiões sem cobertura de telefonia móvel.
As investigações tiveram início em abril de 2025, após a apreensão de aproximadamente 1,1 tonelada de maconha em Frutal, no Triângulo Mineiro. A partir desse flagrante, os policiais identificaram conexões com outras remessas, elevando o total apreendido para cerca de 5,9 toneladas de drogas.
Ao longo da operação, foram cumpridos 22 mandados de prisão preventiva, cinco mandados de prisão temporária e 41 mandados de busca e apreensão. Também foram sequestrados bens avaliados em R$ 61 milhões. Três mandados de prisão ainda não foram cumpridos.
Em paralelo, a Operação Narco Fluxo, conduzida pelo Ministério Público Federal em parceria com a Polícia Federal, resultou na prisão temporária de 32 pessoas e no cumprimento de 45 mandados de busca e apreensão em diversos estados. A investigação mira o núcleo financeiro de uma organização criminosa responsável por movimentar mais de R$ 1,6 bilhão desde 2023, com indícios de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e ligação com o tráfico internacional de drogas.
Segundo o MPF, o grupo utilizava empresas de fachada, contas de passagem e transações complexas para ocultar a origem dos recursos ilícitos. As investigações seguem em andamento com análise do material apreendido.
Fonte: Polícia Civil de Minas Gerais, Ficco e Ministério Público Federal (MPF).
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