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Macaca eletrocutada em Uberlândia tinha marcas de balas de chumbinho

Veterinários identificaram sinais de maus-tratos em animal resgatado de criadouro irregular em Santa Catarina.

14 de maio de 2026 às 12:55
PorSal
Macaca eletrocutada em Uberlândia tinha marcas de balas de chumbinho

Uma macaca-prego resgatada após sofrer uma descarga elétrica em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, apresentou sinais de maus-tratos sofridos antes de chegar à cidade. Durante o atendimento no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Uberlândia (HV-UFU), a primata segurou a mão de um veterinário, em uma cena registrada pela equipe médica. O caso ocorreu após a fuga do animal na última sexta-feira (8), no bairro Umuarama.

Segundo o veterinário-chefe do HV-UFU, Márcio Bandarra, a macaca chamada Urucum possui mais de dez marcas de projéteis de balas de chumbinho espalhadas pelo corpo. De acordo com o profissional, o comportamento do animal demonstra sinais de medo constante e busca por proteção.

“Ela protege o pescoço sempre que tem contato com seres humanos. Quando segurou minha mão, queria se sentir segura”, afirmou o veterinário.

Urucum faz parte de um grupo de cinco macacos-prego resgatados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em um criadouro de Santa Catarina. Segundo o órgão, os animais viviam em condições inadequadas, sem estrutura compatível com os hábitos naturais da espécie.

De acordo com o Ibama, os macacos eram mantidos em espaços restritos, sofriam manejo baseado no medo e apresentavam ferimentos provocados pelo contato constante com o chão. O órgão também apontou indícios de comercialização irregular dos animais.

Os cinco macacos chegaram a Uberlândia em abril deste ano para tratamento e reabilitação no HV-UFU. Desde então, passam por exames clínicos e acompanhamento veterinário. Segundo a equipe médica, as fêmeas estão abaixo do peso e todos os animais apresentam suspeita de diabetes e alterações comportamentais.

Durante um dos exames, Urucum fugiu do hospital, caminhou sobre fios de energia e sofreu a descarga elétrica. Ela foi resgatada pela equipe veterinária e segue sob cuidados intensivos.

“Ainda não podemos afirmar se ela ficará bem. O estado é de risco”, informou Bandarra.

Os animais receberam nomes inspirados em árvores brasileiras: Urucum, Manacá, Copaíba, Baobá e Tarumã. Segundo os especialistas, o trabalho atual busca recuperar a confiança e reduzir os impactos psicológicos causados pelo período em que viveram em situação de maus-tratos.

Ainda não há previsão para que os macacos retornem ao habitat natural. A soltura dependerá da recuperação física e comportamental de todo o grupo.


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